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Fernando A. Cassaniga
Desde os tempos mais remotos nas mais antigas civilizações, o homem busca
racionalizar e automatizar o seu trabalho, por meio de novas técnicas.
A automação simplifica todo tipo de trabalho, seja ele físico ou mental. O
exemplo mais comum da automação do trabalho mental, é o uso da calculadora
eletrônica.
No cotidiano observa-se cada vez mais a automação e a racionalização dos
trabalhos físicos em geral, por exemplo: Na agricultura vê-se novos e
sofisticados tratores que substituem a enxada, e outros meios de produção. A
cada nova geração de novos produtos, observa-se em cada modelo uma evolução
que faz com que os esforços físicos e mentais sejam reduzidos. No processo
de pesquisa para melhoria dos produtos, aliado ao desenvolvimento dos
computadores, foi possível chegar às primeiras máquinas controladas
numericamente.
O principal fator que forçou os meios industriais a essa busca foi a segunda
guerra mundial.
Durante a guerra, as necessidades de evolução foram de papel decisivo,
necessitava-se de muitos aviões, tanques, barcos, navios, armas, caminhões,
etc., tudo em ritmo de produção em alta escala e grande precisão. Grande
parte da mão-de-obra masculina foi substituída pela feminina, o que na época
implicava na necessidade de treinamento, com reflexos na produtividade e na
qualidade.
Era o momento certo para se desenvolver máquinas automáticas de grande
produção, para peças de precisão e que não dependessem da qualidade e da
especialização da da mão-de-obra.
Diante deste desafio, iniciou-se o processo de pesquisa a partir do qual
chegou-se à máquina comandada numericamente.
A primeira ação neste sentido surgiu em 1949 no laboratório de
Servomecanismo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), com a
união da Força Aérea Norte-americana (U.S. Air Force) e a empresa Parsons
Corporation of Traverse City, Michigan. Foi adotada uma fresadora de três
eixos, a Hydrotel, da Cincinnati Milling Machine Company, como alvo das
novas experiências.
Os controles e comandos convencionais foram retirados e substituídos pelo
comando numérico, dotado de leitora de fita de papel perfurado, unidade de
processamento de dados e servomecanismo nos eixos.
Após testes e ajustes, a demonstração prática da máquina ocorreu em março de
1952, e o relatório final do novo sistema somente foi publicado em maio de
1953.
Após este período, a Força Aérea Norte-americana teve um desenvolvimento
extraordinário, pois as peças complexas e de grande precisão, empregadas na
fabricação das aeronaves, principalmente os aviões a jato de uso militar,
passaram a ser produzidos de forma simples e rápida, reduzindo-se os prazos
de entrega do produto desde o projeto, até o acabamento final.
Ano a ano a aplicação do CN foi sendo incrementada, principalmente na
indústria aeronáutica.
Em 1956 surgiu o trocador automático de ferramentas, mais tarde em 1958, os
equipamentos com controle de posicionamento ponto a ponto e a geração
contínua de contornos, que foram melhorados por este sistema em
desenvolvimento.
A partir de 1957, houve nos Estados Unidos, uma grande corrida na fabricação
de máquinas comandadas por CN. Até então os industriais investiam em
adaptações do CN em máquinas convencionais. Este novo processo foi cada vez
mais usado na rotina de manufatura, que a partir deste ano, com todos os
benefícios que haviam obtido deste sistema, surgiram novos fabricantes que
inclusive já fabricavam seus próprios comandos.
Devido ao grande número de fabricantes, começaram a surgir os primeiros
problemas, sendo o principal a falta de uma linguagem única e padronizada. A
falta de padronização era bastante sentida nas empresas com mais de uma
máquina, fabricadas por diferentes fornecedores, cada um deles tinha uma
linguagem própria, com a necessidade de uma equipe técnica especializada
para cada tipo de comando, elevando os custos de fabricação.
Em 1958, por intermédio da EIA (Eletronic Industries Association)
organizaram-se estudos no sentido de padronizar os tipos de linguagem. Houve
então a padronização de entrada conforme padrão RS-244 que depois passou a
EIA244A ou ASC II.
Atualmente o meio mais usado de entrada de dados para o CNC é via
computador, embora durante muitos anos a fita perfurada foi o meio mais
usado, assim como outros com menor destaque.
A linguagem destinada a programação de máquinas era a APT (Automatically
Programed Tools), desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts
em 1956. Daí para frente foram desenvolvidas outras linguagens para a
geração contínua de contornos como AutoPrompt (Automatic Programming of
Machine Tools), ADAPT, Compact II, Action, e outros que surgiram e continuam
surgindo para novas aplicações.
Com o aparecimento do circuito integrado, houve grande redução no tamanho
físico dos comandos e sensível aumento da capacidade de armazenamento,
comparando-se com os controles transistorizados.
Em 1967, as primeiras máquinas controladas numericamente chegaram ao Brasil,
vindas dos Estados Unidos.
No início da década de 70, surgem as primeiras máquinas CNC (Controle
Numérico Computadorizado), e no Brasil surge as primeiras máquinas CN de
fabricação nacional.
A partir daí, observa-se uma evolução contínua e notável concomitantemente
com os computadores em geral, fazendo com que os comandos (CNC) mais
modernos empreguem em seu conceito físico (hardware) tecnologia de última
geração.
Com isso, a confiabilidade nos componentes eletrônicos aumentou, aumentando
a confiança em todo sistema.
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